Lento, suave, pleno, sereno
Levo livre, leve, solto
Não tem como, dono, porquê
É manso, raro, difícil de se ver
E hoje eu acordei sentindo o amor
Distribuindo nosso riso
Me desfiz do pudor
Caí na vida bicho
E como é bonito
O andar do desapego sem nenhuma preocupação
É muito lindo
O orgulho de mãos dadas com a humildade e a distração
Faz verdadeiros
O sorriso, o olhar
A carícia, e o encasquetar
Deixo me domar
Arrastar a sujeira pra debaixo do tapete
E é tão bom sentir
Meu parecer ditar
Fazer de um grito, um doce falsete
E é tão bom ouvir
Belo, terno, suave, lilás
É um cavalheiro, não se impõe jamais
Vermelho, azul, doce, audaz
Não é qualquer mandinga que desfaz
Saí alegre, saí largado
Hoje eu vim leve descarregado
Querendo um beijo e um abraço
Um café preto e um cigarro
E como é divino
Correr contra a corrente nu e inocente
É tão imponente
A virtude nas mãos do descrente
Deixo ele dosar
Cada gota de anseio
Deixo me domar
Mesmo entre devaneios
E é tão bom ouvir
E é tão bom sentir