Quando tranqueia uma canção desses campeiros
Para as moradas em consolo se destinam
Liberta os sonhos dos terrunhos companheiros
Pois traz na alma partituras campesinas
Enquanto andeja a semear sonoridades
Na comunhão da melodia com as rimas
É como carta esquecida nos peçuelos
Que o tempo e a vida transformaram em obra prima
Quando a tardinha vai vestindo os edifícios
De sombras mansas, e a quietude apressa o passo
Ouve-se vozes povoando apartamentos
Cantos nativos acenando dos terraços
E por ser simples a canção desses campeiros
Para rodeio das essências regionais
É lenitivo aos anseios caborteiros
Quando a saudade ronda rumos desiguais
Essa cantiga, que é de antiga, nos irmana
Vem estradeando com acordes alma adentro
A revolver a lembrança interiorana
Nunca perdida nas senzalas de cimento
Quando tranqueia uma canção desses campeiros
Nem mesmo o mar é capaz de nos impor
O impossível das lonjuras pra os recuerdos
Pois nada é inacessível ao amor